6 de julho de 2011

Aquecimento global e o novo mapa mundi: Rússia enviará tropas à disputada região do Ártico



Polo Norte

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou no dia 01 de Julho que o país planeja criar duas brigadas militares especializadas para a região do Ártico, local que tende a se tornar um polo de disputa regional.

O anúncio ocorre um dia depois de o premiê russo, Vladimir Putin, ter dito que a Rússia pretende “expandir sua presença no Ártico” e defender “forte e persistentemente” seus interesses na região.

Com o derretimento de geleiras no Polo Norte, diversos países – como Estados Unidos, Dinamarca, Canadá e Noruega – têm reclamado soberania sobre partes do Ártico, onde acredita-se que haja significativas reservas inexploradas de petróleo e gás.

Putin destacou que está “aberto ao diálogo com os parceiros estrangeiros, com nossos vizinhos do Ártico”, mas que vai defender seus próprios “interesses geopolíticos”. (Veja a reportagem da BBC aqui: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/07/110701_russia_artico_pai.shtml) .

Isso já era esperado…

Sabemos que a água que vai do Atlântico Norte e deságua no Ártico está em seu nível mais quente dos últimos dois mil anos. O mar na Corrente do Golfo, entre a Groelândia e o arquipélago norueguês de Svalbard, alcançou uma média de 6ºC nos últimos verões. Segundo a Universidade do Colorado o nível de gelo no Ártico ficou entre o mais baixo registrado em 2009. Além disso, entre 1979 e 2009, uma área maior do que o Estado do Alasca desapareceu.

Sabemos também já há algum tempo é que o degelo provocará aumento significativo do nível do mar no mundo todo, o que poderia causar a inundação de ilhas e territórios litorâneos, assim como a destruição de ecossistemas e o desaparecimento de inúmeras espécies.

Gelo Artico

O que não foi previsto com a antecedência necessária é que o derretimento de gelos eternos (‘permafrost’) já afeta a vida econômica da região ártica russa. E mais, uma nova rota marítima tornou-se possível na região: Em Setembro do ano passado, o navio Nordic Barents fez história ao transportar 40 mil toneladas de minério de ferro da Noruega para a China pelo Oceano Ártico, um atalho através do gelo derretido. Veja mais sobre isso em: “A “Era do Degelo” no Ártico aumenta a tensão entre países da região”.

Nos termos do direito internacional, nenhum país detém atualmente o Polo Norte ou a região do Oceano Ártico como um de seus territórios. A Rússia, o Canadá, a Noruega, a Dinamarca (através da Groenlândia), e os Estados Unidos (através do Alasca), estão limitados a uma zona econômica exclusiva de 200 milhas náuticas (aproximadamente 370 km) em torno de suas costas. Além da ZEE , a área restante, que representa mais de um milhão de quilômetros quadrados, é atribuído a nenhum país e é a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos que administra o território.

Ao ratificar o tratado na convenção dos direitos do mar nas Nações Unidas, um país tem um período de dez anos para exigir legalmente a sua zona de 200 milhas marítimas. Assim, a Noruega (ratificou a convenção em 1996), Rússia (ratificado em 1997), o Canadá (ratificou em 2003) e a Dinamarca (ratificou em 2004 ). Veja mais em: “Dinamarca vai reivindicar Polo Norte e grande área no Ártico”

Fonte:http://eco4u.wordpress.com/

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