29 de julho de 2011

Começou A Corrida Pelo Ouro,

O ouro bateu novo recorde esta semana e acumula alta de 35%, em 12 meses, e de 81%, desde setembro de 2008.

É reflexo da crise econômica mundial. Na procura por ativos seguros na era do dólar fraco, de dúvidas sobre o euro, risco de calote em dívidas públicas e muita liquidez, até os bancos centrais estão na corrida do ouro.


No mesmo período de 12 meses, o Ibovespa cai 6,7%, e o dólar, 6%. O petróleo subiu na onda da alta das commodities, mas bem menos: 15%. Mas espantoso mesmo é o que aconteceu com a prata: subiu em um ano 121%.

Os números de ativos em alta, num período de crise e baixo crescimento de economias maduras, mostram que os grandes investidores tentam se proteger contra o agravamento da crise, para ganhar em qualquer conjuntura.

Até os bancos centrais têm pressionado o mercado. A alta do ouro é parte da valorização das commodities, provocada pela hiperatividade dos fundos financeiros, mas há outro motivo para o metal subir. Ouro sempre foi considerado reserva de valor, com liquidez em qualquer mercado, em qualquer época.

— Houve o que chamamos de fly to quality (voo para qualidade). Os investidores buscaram ativos menos arriscados. O ouro se descolou das outras commodities, que caíram, e continuou subindo — disse Nathan Blanche, da Tendências Consultoria.

Na segunda-feira, a onça chegou a US$ 1.602. No segundo trimestre, o crescimento foi de 4,6% em relação ao primeiro.

— O aumento do preço do ouro está relacionado à crise na Europa e nos Estados Unidos. Especificamente nesta semana, mais atrelado ao risco de calote dos americanos. A projeção é que a onça possa passar de US$ 2.000 este ano se a crise não se dissipar — disse Mauriciano Cavalcante, sócio da corretora OM DTVM.

Até o início do ano, o Banco Central mexicano praticamente não tinha reservas internacionais em ouro. De janeiro a julho, comprou mais de 100 toneladas para compor 4% de sua carteira. A Rússia comprou 22,8 toneladas este ano e 15 toneladas em julho do ano passado. O BC russo possui a oitava maior reserva mundial em ouro do mundo, com 830 toneladas, ou 7,8% de suas reservas.

“O total de compra de ouro por parte de bancos centrais este ano já é maior do que o comprado em todo o ano de 2010. Os bancos centrais dos emergentes continuam sendo a principal força de sustentação”, escreveu o Conselho Mundial do Ouro (World Gold Council, WGC), em relatório na última semana.

Nos últimos 10 anos, o BC chinês foi o que mais comprou ouro. Elevou suas reservas de 395 toneladas para 1.054. O BC da Índia fez movimento semelhante, saindo de 357 toneladas para 557 toneladas. Já o BC brasileiro manteve em 0,5% o total de nossas reservas em ouro, com 33,5 toneladas. O Brasil tem a maior parte das suas reservas em dólar e em títulos do Tesouro americano, que está com problemas, como se sabe, de impasse político na elevação do limite do endividamento. Emissor da moeda de referência mundial, o BC americano lidera a lista dos detentores de ouro, com 8.133 toneladas, que compõem 75% das reservas americanas.

— O petróleo está subindo 15% em 12 meses. Chegou a subir 38% até abril, mas depois desfez parte da alta. A mesma coisa aconteceu com outras commodities, que caíram um pouco no último trimestre. Enquanto isso, o ouro foi mantendo sua trajetória de alta, na medida em que a crise não encontrava solução. Com a prata, que tem uma lógica parecida, o crescimento foi de 121% — explicou André Perfeito, da Gradual Investimentos.

A compra de ouro físico também tem aumentado na China e na Índia. Os chineses negociaram cerca de 205 toneladas no mercado de ouro entre abril e junho, cerca de 26 toneladas acima do mesmo período do ano passado, com crescimento de 14,6%.

Mesmo com a alta de 81% desde setembro de 2008, em termos deflacionados, os preços atuais estão menores do que em 1980, quando a onça estava num preço equivalente a US$ 2.400. Naquela época, o mundo vivia outro tipo de crise, a da inflação, que estava alta em economias maduras. A taxa superou 15% nos Estados Unidos e 22% na Inglaterra. Houve também queda na produção de ouro da África do Sul, responsável por 70% da produção mundial.

Ontem, o clima em relação à crise internacional melhorou um pouco com números do mercado imobiliário acima do previsto, com a Espanha conseguindo vender papéis da sua dívida. As bolsas subiram e o ouro caiu. Há uma expectativa de que esta semana se consiga fechar algum acordo na Europa para a dívida da Grécia, ainda que a chanceler alemã, Angela Merkel, tenha dito ontem que a crise do euro não vai se resolver com nenhuma solução espetacular. Como toda crise fiscal, será de saída lenta. Enquanto isso, o ouro será refúgio nos momentos de maior incerteza, para depois oscilar como qual outro ativo.

http://fimdostempos.net/preco-do-ouro-bate-recorde-colapso-economico-mundial.html

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O cenário incerto para a recuperação da economia global tem motivado bancos centrais – em especial nos países emergentes – a ampliar as compras de ouro em busca de proteção para suas reservas. Segundo dados do Conselho Mundial de Ouro (World Gold Council), a quantidade de metal adquirida no primeiro semestre já supera o total negociado durante todo o ano de 2010. Enquanto isso, o volume de ouro que o Brasil possui em estoque é o mesmo desde 2002. São 33,6 toneladas do metal, que representam apenas 0,5% do total das reservas internacionais do País.


Foto: Bloomberg via Getty
Images/Bloomberg


“O ouro se transforma em ativo da crise. Os países correm para ele em momentos de insegurança como o que vemos hoje”, diz Nathan Blanche, sócio da Tendências Consultoria. Mas o Brasil faz bem em não comprar o metal, em sua avaliação. “É muito bom para o País não ter mais ouro. A administração das reservas é tão conservadora quanto deve ser. Não temos tradição nisso e nem devemos ter”, diz Blanche. Ele afirma que, historicamente, a volatilidade do ouro é muito elevada e o metal possui rentabilidade negativa. “Quem comprou ouro em 1980 e guardou está perdendo uma fortuna hoje.” Se não for decretado default americano na próxima semana – cenário que Blanche considera praticamente certo – e as tensões na Europa diminuam, a cotação do ouro deve sair do atual patamar recorde de mais de US$ 1.600 por onça troy e voltar para a casa dos US$ 1.300.

Para Eduardo Coutinho, professor do Ibmec-MG, a estratégia de comprar ouro não faz muito sentido no Brasil quando se considera a participação relativa do metal no total das reservas internacionais do País. “Mesmo que o Banco Central triplique as compras de ouro, ainda assim o percentual seria muito pequeno e não seria suficiente para proteger as reservas de uma desvalorização mais acentuada do dólar”, diz Coutinho. Com o atual nível e composição de reservas internacionais, ele acredita que o País "já está bem calçado para sustentar o crescimento e possui economia sólida". A maior parte das reservas brasileiras está alocada em dólar e títulos do governo americano – o País é o quinto maior detentor desses papéis entre os investidores estrangeiros. Já o estoque de ouro do Brasil fica em 50º lugar, segundo o Conselho Mundial do Ouro.

Enquanto o volume de ouro permanece estável no País, o Banco Central continua a ampliar as compras em moeda estrangeira – em junho, essas reservas estavam em US$ 327 bilhões, 18,4% a mais que em 2010. Segundo analistas, esse movimento pode ser entendido, em parte, como mais uma tentativa do governo de frear a desvalorização do dólar frente ao real – até o último dia 28, a moeda acumula queda de 5,7% no ano.

Custo elevado

Considerando a perda de valor do dólar frente ao real e a valorização do ouro nos últimos meses, "teria sido mais eficiente se o País tivesse alocado mais reservas em ouro", diz André Nunes, diretor da Reserva Metais, empresa que atua no mercado formal de câmbio e metais preciosos no Brasil. “Mas não dá para ser profeta do passado, não se podia prever isso antes. Daqui para a frente, a chance de o Banco Central vir a comprar ouro é muito baixa, dado o perfil conservador da equipe econômica”, afirma.

No entanto, o custo para manter as reservas em dólar, segundo ele, “está começando a ficar muito caro e já pesa até no esforço de superávit fiscal que o governo precisa fazer”. No ano passado, o custo de carregamento das reservas internacionais foi de R$ 26,6 bilhões. Até o momento, Nunes estima que esse valor esteja próximo de R$ 30 bilhões.

Um dos fatores que pesa nessa conta é o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos – enquanto a Selic está em 12,5% ao ano aqui, para conter a demanda de consumo e frear a inflação, nos EUA a taxa de juros segue próxima de zero para tentar estimular a recuperação econômica.

Entenda a corrida do ouro

A corrida para o ouro tem como pano de fundo a insegurança dos bancos centrais e dos investidores no mundo todo sobre qual será o novo padrão monetário internacional, afirma Daniel Motta, professor de economia e finanças do Insper. “Já vivemos o padrão ouro, o padrão dólar e hoje, diante do enfraquecimento da moeda americana, nos perguntamos qual será a referência para as transações internacionais”, diz o economista.

Atualmente, cerca de 60% das reservas internacionais estão em títulos do governo americano, atreladas ao movimento do dólar. Com a desvalorização da moeda – em meio à lenta recuperação da economia americana e ao impasse sobre o endividamento público no país –, a alternativa é procurar proteção por diversificar os investimentos. “O normal seria ir para o euro, mas com a crise da dívida na Grécia e em outros países da região, também não é uma boa ideia. Então acabamos nos voltando para o ouro até saber o que acontecerá daqui para frente”, avalia o professor do Insper.

De acordo com o Conselho Mundial do Ouro, o banco central do México lidera o movimento de busca pelo metal no ano – o país saiu do patamar de 7 toneladas de reservas de ouro no final de 2010 para 106 toneladas em julho. A Rússia também tem feito compras mensais do metal e já adquiriu 41,8 toneladas desde o início do ano, chegando ao total de 830,5 toneladas de ouro em reserva.

http://economia.ig.com.br/brasil+ignora+corrida+do+ouro/n1597105915442.html


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