O projeto de Chebarkul abrange 59 cientistas de nove países. Os cientistas conseguiram finalmente calcular a sua massa, velocidade, brilho e origem. O pedido para incluir o bólide no Catálogo Internacional de Meteoritos já foi enviado para a Sociedade Internacional de Meteorítica e Ciência Planetária.
O voo dos fragmentos do meteorito foi observado num raio de setecentos quilômetros. Os cientistas estudaram 50 localidades dos arredores de Chelyabinsk e inquiriram milhares de testemunhas oculares. Vidros partidos, fendas em edifícios, falhas de energia elétrica e de comunicações celulares, queimaduras cutâneas e de retinas oculares provocadas pela forte brilho do bólide, odores e sons estranhos, tudo isso foi compilado quase em flagrante.
“Das centenas de registros vídeo da queda do meteorito nós selecionámos dez, efetuámos a calibragem do mapa das estrelas, o que permitiu determinar a trajetória, o ângulo de inclinação e a velocidade”, explicou a coordenadora do projeto científico Olga Popova. “A velocidade era de 19 quilômetros por segundo, o que é superior às estimativas anteriores.” O brilho do meteorito de Chebarkul durante o voo era 30 vezes superior ao brilho do Sol. Isso provocou danos na retina e a cegueira temporária em pessoas.
O maior fragmento, com 650 quilogramas de peso, foi içado em meados de outubro do fundo do lago Chebarkul. Menos de um mês depois os cientistas reconstituíram todo o panorama do acontecimento. Segundo os seus cálculos, na atmosfera entrou um bólide com cerca de 11 mil toneladas de massa. Ele explodiu e os seus fragmentos se aproximavam vertiginosamente da superfície do planeta. A explosão fez duplicar a velocidade os fragmentos até aos 40 km/seg. A potência da explosão foi equivalente à de 500 quilotoneladas de TNT, o que é 10 vezes superior à explosão da bomba atómica de Hiroshima.
Além disso, ficámos sabendo que foi apenas uma parte de um corpo celeste maior voou em direção à Terra. O asteroide que colidiu com o nosso planeta tinha uma órbita semelhante à de um asteroide próximo à Terra, portanto em tempos ambos os asteroides fizeram parte de um mesmo objeto, referiu Olga Popova.
Continuam a existir motivos para alarme: os investigadores calcularam que os corpos celestes com um peso superior a 10 toneladas podem colidir com a Terra com uma frequência bastante mais elevada, a cada 30-40 anos em vez dos 150 que antes se supunha. “Mas nós ainda não sabemos com exatidão qual é a destruição que sofrem esses objetos quando entram na atmosfera”, diz Valeri Shuvalov, chefe do laboratório de prognósticos matemáticos dos processos geofísicos do Instituto de Dinâmica das Geosferas. Isso dificulta os cálculos da potencial explosão de um bólide em voo e da escala de destruição provocada, mas o mais importante é calcular quantas pessoas poderão ser atingidas. Depois da queda do meteorito Chelyabinsk 1500 pessoas recorreram à assistência médica.